sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Já vou tarde

Quis lhe dar por um momento
Poeiras cintilantes de firmamento
Mas você queria mesmo era a lamparina
Não queria nem passar da esquina

Além das lucenas tem um luzeiro
Dentro do luzeiro, um Dragão
Mas você queria era o candeeiro
Sempre pedia o que lhe cabia na mão

Ah, querido...
Depois dessa Vila tem muito chão
Mas o seu olho está obstruído

Perdão, minha vida...
A esquina é muito perto
Pra quem tem perna comprida...

Ah, covarde!
Não é do Dragão que você tem medo
É da poeira que brilha nos olhos 
Depois que termina a tarde

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O que você quer ser quando crescer?

Outro dia, mamãe perguntou quais as minhas pretensões para o futuro, certamente esperando que eu lhe descrevesse uma brilhante carreira profissional. Qual não foi a sua surpresa quando respondi que desejava, pelo resto dos meus dias, acordar em uma casa branca, com portas e janelas azuis, em que levantasse mais cedo que todos para preparar o café-da-manhã.


Após a mesa posta, eu despertaria docemente meus três filhos preguiçosos e informaria com um beijo ao meu marido que o desjejum estava servido. Logo depois do comermos, todos juntos, eu deixaria as crianças na escola e compraria frutas e verduras frescas para o almoço, além de gérberas para enfeitar os vasos da casa. Todos os dias, eu teria o cuidado de deixar cada cômodo arrumado e limpo.

Enquanto as roupas estivessem na máquina de lavar, bordaria mimosas capas para as almofadas do sofá da sala. Imagine que belos os lençóis trepidando impávidos no varal! Eu aspiraria contente o perfume deles, imaginando meus filhos dormindo aconchegados naqueles tecidos coloridos. Mas não se preocupe, mamãe, eu não iria esquecer quem me educou com tanto carinho. Todos os dias, ligaria para você - e também para a minha sogra, é claro - para saber se precisavam de alguma coisa. Nós, provavelmente, conversaríamos sobre o desastre noticiado no telejornal ou sobre as roseiras do quintal.

O preparo do almoço seria um momento sagrado. Cada ingrediente, cuidadosamente selecionado e tratado, teria o objetivo de proporcionar ao meu esposo e filhos uma alimentação deliciosa e saudável. Às 11 horas, eu buscaria os bacurizinhos na escola e eles me contariam sobre suas atividades. Ao chegar a nosso ninho, com muito custo, eu os convenceria sobre a importância de tomar banho todos os dias e, enquanto estivessem no chuveiro, colocaria a mesa para que eles, eu e o marido, almoçássemos. Nós, então, teríamos uma breve sesta e eu ajudaria os meninos com as tarefas de casa.

Por volta das 15 horas, deixaria as crianças nas aulas de música ou de idiomas, enquanto eu faria alguma atividade física. Ao retornarmos, o momento mais esperado do dia pelos pimentinhas: o da brincadeira com os vizinhos. Eu me divertiria ouvindo os gritos e a gargalhada dos serelepes, além dos latidos enlouquecidos do nosso bulldog!

À noite, com a chegada do marido, nova luta para colocar os incansáveis para dentro e fazê-los tomar banho. Depois da missão cumprida, o jantar e o merecido repouso. Os pés cansados de meu homem trabalhador receberiam uma revigorante massagem e... Não podendo mais suportar os olhos perplexos de minha mãe, disse: Tá bom, é mentira... Na verdade, eu...

OBS.: Foto retirada do site http://melmorenaboutique.blogspot.com/ .

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Feliz 2011

Olá leitores do meu blog!

Apesar de já estarmos quase no fim de janeiro, acho que ainda dá tempo de postar uma mensagem de Feliz Ano Novo. Escolhi a música "I Wish I Knew How It Would Feel To Be Free". Desconheço a autoria, mas ela é um encanto, ainda mais na voz de Nina Simone. Também selecionei um texto de Rachel de Queiroz sobre a distância que há entre o que pensamos que desejamos e o que desejamos de fato. Muito lindo! Há um trecho que não entendi bem, mas me pareceu um pouco racista ("...o misterioso sentimento de fraternidade que não acha nenhuma China demasiado longe, nenhum negro demasiado negro,..."). Por via das dúvidas, prefiro deixar claro que acredito que foi muito criativo da parte de Deus ter colocado no mundo pessoas com as mais diversas cores de pele. E que espero que um dia as pessoas entendam que tom de pele é igual tom de cabelo: não faz de ninguém melhor ou pior, apenas nos diferencia visualmente.
Um beijo a todos os meus queridos! Tenham um ano maravilhoso!

Peixinhos,

Bianca Leão.



Eis a música:

http://www.youtube.com/watch?v=JeXtfmAwvvY&feature=fvst

Eis o texto:

Talvez o último desejo (Rachel de Queiroz)


Pergunta-me com muita seriedade uma moça jornalista qual é o meu maior desejo para o ano de 1950. E a resposta natural é dizer-lhe que desejo muita paz, prosperidade pública e particular para todos, saúde e dinheiro aqui em casa. Que mais há para dizer?

Mas a verdade, a verdade verdadeira que eu falar não posso, aquilo que representa o real desejo do meu coração, seria abrir os braços para o mundo, olhar para ele bem de frente e lhe dizer na cara: Te dana!

Sim te dana, mundo velho. Ao planeta com todos os seus homens e bichos, ao continente, ao país, ao Estado, à cidade, à população, aos parentes, amigos e conhecidos: danem-se! Danem-se que eu não ligo, vou pra longe me esquecer de tudo, vou a Pasárgada ou a qualquer outro lugar, vou-me embora, mudo de nome e paradeiro, quero ver quem é que me acha.

Isso que eu queria. Chegar junto do homem que eu amo e dizer para ele: Te dana, meu bem! Dora em vante pode fazer o que entender, pode ir, pode voltar, pode pagar dançarinas, pode fazer serenatas, rolar de borco pelas calçadas, pode jogar futebol, entrar na linha de Quimbanda, pode amar e desamar, pode tudo, que eu não ligo!

Chegar junto ao respeitável público e comunicar-lhe: Danai-vos, respeitável público. Acabou-se a adulação, não me importo mais com as vossas reações, do que gostais e do que não gostais; nutro a maior indiferença pelos vossos apupos e os vossos aplausos e sou incapaz de estirar um dedo para acariciar os vossos sentimentos. Ide baixar noutro centro, respeitável público, e não amoleis o escriba que de vós se libertou!

Chegar junto da pátria e dizer o mesmo: o doce, o suavíssimo, o libérrimo te dana. Que me importo contigo, pátria? Que cresças ou aumentes, que sofras de inundação ou de seca, que vendas café ou compres ervilhas de lata, que simules eleições ou engulas golpes? Elege quem tu quiseres, o voto é teu, o lombo é teu. Queres de novo a espora e o chicote do peão gordo que se fez teu ginete? Ou queres o manhoso mineiro ou o paulista de olho fundo? Escolhe à vontade - que me importa o comandante se o navio não é meu? A casa é tua, serve-te, pátria, que pátria não tenho mais.

Dizer te dana ao dinheiro, ao bom nome, ao respeito, à amizade e ao amor. Desprezar parentela, irmãos, tios, primos e cunhados, desprezar o sangue e os laços afins, me sentir como filho de oco de pau, sem compromissos nem afetos.

Me deitar numa rede branca armada debaixo da jaqueira, ficar balançando devagar para espantar o calor, roer castanha de caju confeitada sem receio de engordar, e ouvir na vitrolinha portátil todos os discos de Noel Rosa, com Araci e Marília Batista. Depois abrir sobre o rosto o último romance policial de Agatha Christie e dormir docemente ao mormaço.


Mas não faço. Queria tanto, mas não faço. O inquieto coração que ama e se assusta e se acha responsável pelo céu e pela terra, o insolente coração não deixa. De que serve, pois, aspirar à liberdade? O miserável coração nasceu cativo e só no cativeiro pode viver. O que ele deseja é mesmo servidão e intranqüilidade: quer reverenciar, quer ajudar, quer vigiar, quer se romper todo. Tem que espreitar os desejos do amado, e lhe fazer as quatro vontades, e atormentá-lo com cuidados e bendizer os seus caprichos; e dessa submissão e cegueira tira a sua única felicidade.

Tem que cuidar do mundo e vigiar o mundo, e gritar os seus brados de alarme que ninguém escuta e chorar com antecedência as desgraças previsíveis e carpir junto com os demais as desgraças acontecidas; não que o mundo lhe agradeça nem saiba sequer que esse estúpido coração existe. Mas essa é a outra servidão do amor em que ele se compraz - o misterioso sentimento de fraternidade que não acha nenhuma China demasiado longe, nenhum negro demasiado negro, nenhum ente demasiado estranho para o seu lado sentir e gemer e se saber seu irmão.

E tem o pai morto e a mãe viva, tão poderosos ambos, cada um na sua solidão estranha, tão longe dos nossos braços.


E tem a pátria que é coisa que ninguém explica, e tem o Ceará, valha-me Nossa Senhora, tem o velho pedaço de chão sertanejo que é meu, pois meu pai o deixou para mim como o seu pai já lho deixara e várias gerações antes de nós, passaram assim de pai a filho.

E tem a casa feita pela nossa mão, toda caiada de branco e com janelas azuis, tem os cachorros e as roseiras.

E tem o sangue que é mais grosso que a água e ata laços que ninguém desata, e não adianta pensar nem dizer que o sangue não importa, porque importa mesmo. E tem os amigos que são os irmãos adotivos, tão amados uns quanto os outros.

E tem o respeitável público que há vinte anos nos atura e lê, e em geral entende e aceita, e escreve e pede providências e colabora no que pode. E tem que se ganhar o dinheiro, e tem que se pagar imposto para possuir a terra e a casa e os bichos e as plantas; e tem que se cumprir os horários, e aceitar o trabalho, e cuidar da comida e da cama. E há que se ter medo dos soldados, e respeito pela autoridade, e paciência em dia de eleição. Há que ter coragem para continuar vivendo, tem que se pensar no dia de amanhã, embora uma coisa obscura nos diga teimosamente lá dentro que o dia de amanhã, se a gente o deixasse em paz, se cuidaria sozinho, tal como o de ontem se cuidou.

E assim, em vez da bela liberdade, da solidão e da música, a triste alma tem mesmo é que se debater nos cuidados, vigiar e amar, e acompanhar medrosa e impotente a loucura geral, o suicídio geral. E adular o público e os amigos e mentir sempre que for preciso e jamais se dedicar a si própria e aos seus desejos secretos.

Prisão de sete portas, cada uma com sete fechaduras, trancadas com sete chaves, por que lutar contra as tuas grades?

O único desabafo é descobrir o mísero coração dentro do peito, sacudi-lo um pouco e botar na boca toda a amargura do cativeiro sem remédio, antes de o apostrofar: Te dana, coração, te dana!

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Carta ao Sr. B.

Cidade das Mangueiras, 19 de janeiro de 2011

Sr. B.,

Plantei flores em nossas cinzas e, de nossos cacos, ergui um baluarte. Se celebrei o réquiem de nosso amor-defunto com risos cristalinos foi para esconder de todos minha alma chorosa. Não pudeste sustentar minha leveza. Mas não te culpo, senão por me protegeres do julgo das verdades inteiras.
Sr. B., não te enganes,não é porque não exijo explicações que não as quero. Sei, contudo, que cada um dá o que pode. Quanto a mim, só o que posso te dar é minha alegria. Perdão se ela chega a ser ostensiva, mas não tenho outro repertório.
Só te faço um último pedido: nunca mais ouses pousar nos meus os teus olhos de kriptonita.

Atenciosamente,
.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Sob a luz da lâmpada fosforescente

Foi devagar que o vento abriu uma fresta entre as folhas da janela do quarto. Também foi de forma leve que a luz dourada do sol cobriu a parede nua e anunciou um pôr-do-sol. Lentamente, algumas folhas caíam das árvores do lado de fora da casa e, de maneira sutil, uma passarinho disse "bem-te-vi" à menina que estudava.

Exatamente a cada minuto, os ponteiros do segundo de um relógio ao lado dela insistiam em dar voltas completas. A parede de seu quarto ia ficando cada vez mais dourada e cada elemento compunha de forma delicada uma harmonia diferente do que era o costume daquele local.

Até que toda aquela cadência de sutilezas irritou a menina.



Fechou a janela e as cortinas de maneira brusca. Jogou o relógio no chão e sorriu ao ver os estilhaços do estrago que causara. Ligou o rádio fora de sintonia. Preferia o chiado que ela regulava ao silêncio que invadia aquele ambiente sem lhe pedir licença. Não quis saber do pôr-do-sol. Tampouco sabia o que queria. A única certeza que tinha era que aquela paz não pertencia ao seu quarto e, por isso, precisava expulsá-la.

Quando conseguiu, respirou tranquila. Voltou a estudar. Mas com o rádio ligado e sob a luz da lâmpada fosforescente.

Obs: imagem retirada do site: http://estacaonerd.blogspot.com/

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

"O Amor...

É difícil para os indecisos.
É assustador para os medrosos.
Avassalador para os apaixonados!
Mas, os vencedores no amor são os
fortes.
Os que sabem o que querem e querem o que têm!
Sonhar um sonho a dois,
e nunca desistir da busca de ser feliz,
é para poucos!!"

Cecília Meireles.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Silêncios

"E, por outro lado, respeito uma certa clareza peculiar ao mistério natural, não substituível por clareza outra nenhuma. E também porque acredito que a coisa se esclarece sozinha com o tempo: assim como num copo d´água, uma vez depositado no fundo o que quer que seja, a água fica clara. Se jamais a água ficar limpa, pior para mim. Aceito o risco", Clarice Lispector.



Sempre tive o hábito de querer destrinchar cada fio de pensamento, de esmiuçar cada bloco de sentimento que me pesasse no coração, pensar e repensar cada diálogo na esperança de encontrar uma pista, qualquer resquício de. (?) que tivesse passado despercebido.


Mas tenho aprendido que o silêncio é também um instrumento de resposta. Talvez não seja dos mais delicados, mas, sem dúvida, é dos mais sinceros.


Essa aprendizagem é comparável e um processo de desintoxicação. Espera-se uma resposta como que espera pelo objeto do vício e, quando ela não vem, é com ansiedade que se procura pelos meios de obtê-la. Venha ela como vier - seja uma mentira, uma desculpa,..., até mesmo uma vírgula parece ser mais dotada de significados que o silêncio. Mas há que se sobreviver ao período de abstinência de palavras.


O grande problema do silêncio é que ele comporta um infinidade de significados. 

Porém, é necessário compreendê-lo. Ou, mais do que isso, deve-se respeitá-lo. (Escrito por mim em 06.01.08)

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Sem mistério

Perguntei a ela qual era o segredo para manter-se casada por mais de 30 anos, se ela nunca tinha pensado em se separar. E ela respondeu:

 - Eu já mandei ele embora. Ele que não foi.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Preguiça


Por que  a cama sempre fica mais confortável na hora de acordar? Pela milésima vez ela pensou: preciso levantar!

- Já disse, travesseiro, tenho que ir!

Fazia tempo que o despertador tocava, mas a moça não conseguia sair. Tinha um mundo de coisas para resolver lá fora. (Uns projetos por acabar, um ponto para bater, uns problemas para tentar solucionar,...). Mas a cama insistia em segurá-la.

 - Já chega! Dessa vez é sério. Vou levantar! - Pensou resoluta - Mas, se já estou atrasada, cinco minutinhos a mais não fariam a menor diferença...

Opa. Passaram dez... Agora foram mais 15... Melhor mesmo era começar a se espreguiçar. Hum... no entanto, o clima estava perfeito para ficar debaixo de um cobertor...

Até que levantou. Começou a arrumar a cama e... não resistiu, deitou de novo. "Só mais um pouquinho. Eu ando tão cansada... mereço um pouco mais de descanso".

 - Menina, tu não tens aula hoje? - perguntou a mãe, que, de supetão, entrara no quarto.

Acabou a enrolação.



sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Um quase soneto em meia hora

Olhe-me nos nos olhos
Materialize em palavras o indizível
Conquiste-me
Depois esqueça o que cativou

Como tudo nessa vida
Seja passageiro
Pegue suas coisas
Desça na próxima estação

Passam pelas janelas as paisagens
E nossas mãos que outrora se entrelaçavam
Agora tocam outras mãos

Vamos em boa hora
Novas histórias nos esperam
E nossa única certeza é o Devir

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Coleta Seletiva

Um saco plástico para o lixo orgânico e outro para o reciclável: é só o que a estudante de direito Vilani Nascimento de Almeida precisa para fazer a coleta seletiva. Cansada de esperar por uma iniciativa da Prefeitura Municipal de Belém, ela decidiu separar o que iria descartar e levar, uma vez por semana, para a ONG "No Olhar", que é especializada na coleta de materiais recicláveis. Cerca de 10 mil toneladas de lixo são produzidas todos os dias no Pará, mas apenas 1,5% deste total é reciclado, segundo a Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental no Pará (Abes/PA).

A coleta seletiva, para muitos, parece uma tarefa complicada. Mas o coordenador da ONG No Olhar, Marcos Wilson, garante que ela pode ser feita de maneira prática e funcional. Basta separar embalagem e restos dos alimentos. Para ele, boa vontade é o que não falta à população paraense. Em 2008, ele resolveu fazer um "experimento" e convidou algumas pessoas para levar os resíduos sólidos domiciliares para o local onde hoje funciona a ONG, na rua Riachuelo, esquina com a travessa Padre Eutíquio. "No começo, apenas um grupo de amigos levava o material. Hoje, recebemos em torno de sete pessoas por dia. Aos sábados, são mais de 20", contou.

Se, quando a ONG começou, era necessário de dois a três meses para juntar uma tonelada de lixo reciclável, hoje, é preciso um pouco mais de uma semana para isso. Na última doação que recebeu, a entidade arrecadou mais que o dobro desta quantidade. Para Marcos, a coleta seletiva feita pela Secretaria Municipal de Saneamento (Sesan) não condiz com a realidade da cidade. "A população quer resolver o problema do descarte, mas não existe incentivo do poder público para isso", opinou. Ele explicou que a proposta da "No Olhar" é reduzir a quantidade de material sólido despejado no Aurá e gerar renda para comunidades em situação de risco.

COLETA

Dentre os beneficiados pelos serviços prestados pela ONG está a Associação de Recicladores das Águas Lindas (Aral). Marcelo Rocha da Silva, coordenador da associação, informou que os 63 catadores que fazem parte da Aral recolhem em torno de cinco toneladas de material reciclável a cada sete dias. Cada um ganha, em média, R$ 50 por semana para coletar vidro, plástico, papel e metal. Ele defendeu que a coleta seletiva pode ser uma alternativa de renda para várias famílias. "Uma forma de aumentar o ganho dos que trabalham com a coleta de lixo é aumentar a adesão da sociedade ao sistema. Quando uma pessoa passa a separar o lixo é como se ela adotasse uma família", alegou.

Ele disse acreditar que os paraenses não realizam coleta seletiva apenas porque não há um programa para dar a destinação correta ao material. "O poder público diz que a população não quer fazer a seleção, mas isso não é verdade. As pessoas só não separam o lixo em casa porque sabem que ele será misturado nos caminhões que fazem a coleta", opinou.

SESAN

Todos os dias, a Sesan recolhe em torno de 700 kgs de resíduos sólidos por meio da coleta seletiva. Essa quantidade representa menos de 0,08 % do lixo domiciliar descartado na cidade. Hoje, o sistema é adotado apenas nos bairros de Nazaré e Umarizal. De acordo com a coordenadora do projeto Coleta Seletiva Porta a Porta da Sesan, Elvira Pinheiro, os dois bairros são os que produzem o maior volume de material sólido da cidade. Em torno de 50 catadores, que antes trabalham no Aurá, fazem a coleta no local das 8h às 14h. O projeto é uma parceria entre a Sesan, a Associação de Catadores de Belém e Caixa Econômica Federal (CEF). Ele começou a ser desenvolvido em 2008, no bairro do Umarizal, e, no ano seguinte, em Nazaré.

Elvira afirmou que, até dezembro, o sistema deve ser estendido ao bairro de Batista Campos, após a conclusão de um estudo de viabilidade. O projeto de coleta seletiva da Prefeitura Municipal de Belém conta com cerca de 300 parceiros, entre instituições federais, escolas, hospitais e empresas particulares. Ela informou que os interessados em fazer coleta seletiva podem solicitar o serviço pelo telefone 3039 3554, ou levar o lixo separado aos galpões da prefeitura, localizados na travessa Padre Eutíquio nº 2671, entre a travessa Quintino Bocaiúva e a passagem São Miguel e na avenida Alcindo Cacela nº 2735, entre as ruas dos Caripunas e dos Pariquis (em frente ao Banco do Brasil).

ATITUDE

Moradora do bairro Umarizal, Vilani de Almeida criticou o serviço de coleta seletiva disponibilizado pela Prefeitura. Ela contou que, ano passado, ligou várias vezes para solicitar a coleta, mas, como não era feita de forma constante, desistiu de aguardar. Agora, ela leva o lixo doméstico à ONG "No Olhar" por conta própria. Para Vilani, que tem um filho de seis meses, valores como a consciência de coletividade e a preservação ambiental devem fazer parte da educação das crianças. "Fui criada no interior e aprendi a conviver bem com o meio ambiente. As pessoas têm que pensar na cidade como uma continuação das suas casas", declarou.

Ela se disse preocupada com a quantidade crescente de material sólido despejado todos os dias no Aurá. "Quando você começa a separar o que pode ser reciclado, percebe uma grande diferença na quantidade de lixo que é jogado fora. O lixo reciclável é limpo. Além de ser útil, ele é higiênico", defendeu. Segundo ela, a seleção dos resíduos domésticos deve ser um compromisso que cada pessoa deve assumir. "Precisamos pensar no futuro e cuidar do planeta. Não adianta só reclamar das autoridades. A sociedade precisa se mobilizar para cobrar mudanças", ressaltou.

 UFPA

Uma opção para quem está disposto a levar o lixo reciclável a um Local de Entrega Voluntária (LEV) é ir à Universidade Federal do Pará (UFPA). A instituição dispõe de 29 LEVs - com quatro contendes (plástico, vidro, metal e papel) cada um - no campus do Guamá.  A técnica da coordenadoria de meio ambiente da UFPA, Liana Maria da Rocha Machado, informou que a coleta seletiva de papel na Universidade começou em 2006, mas o programa de coleta seletiva voluntário foi implantado apenas em 2007. De acordo com ela, a Prefeitura da Universidade foi motivada Decreto no 5.940/06, que tornou a coleta seletiva obrigatória em órgãos públicos.

De junho a dezembro do ano passado, a instituição recolheu 1.068 kgs de ferro, 820 kgs de plástico, 2.960 kgs de papelão, 1.900 kgs de papel misto e 1.190 kgs de papel branco. Para ela, a coleta é fundamental para a preservação da qualidade do ambiente na cidade. "Ela também proporciona a inserção social e melhoria da qualidade de vida de catadores de materiais", completou. De acordo Liana, a adesão da população ao sistema ocorre de forma gradativa. Ela frisou que participar da coleta seletiva é uma atitude cidadã: "Cada um deve fazer a sua parte para que a iniciativa tenha sucesso". Interessados em colaborar com o projeto de coleta seletiva da Universidade podem entrar em contato com a instituição pelo email: ambiental@ufpa.br.

PNRS

Além de ser uma "atitude cidadã", a destinação correta dos residuos sólidos também é "responsabilidade compartilhada" pela sociedade, empresas, prefeituras e governos estaduais e federal. Segundo a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), sancionada pelo Governo Federal no último dia 2, cada cidadão é responsável por acondicionar de maneira adequada o lixo e deve fazer a separação dos resíduos nos locais onde houver coleta seletiva. Em substituição ao Projeto de Lei nº 354/89, que tramitava no Câmara dos Deputados há cerca de 20 anos, a Política proíbe ainda a criação de lixões, regula a implantação do sistema de coleta seletiva e prevê o financiamento de cooperativas de catadores.

De acordo com a PNRS, no lugar dos lixões, onde os resíduos são lançados a céu aberto, as prefeituras municipais brasileiras deverão construir aterros sanitários adequados ambientalmente. Nestes locais, só poderão ser depositados compostagem e resíduos sem  possibilidade de reaproveitamento. Fica proibido o ato de catar lixo, morar ou criar animais em aterros sanitários. O projeto inova ainda ao prever a "logística reversa", que determina que fabricantes, importadores e distribuidores de produtos como produtos como agrotóxicos, pilhas e lâmpadas, recolham as embalagens usadas.



> Essa foi uma das matérias que eu mais gostei de fazer para o jornal O Liberal. Ela foi publicada na coluna de Responsabilidade Social, no dia 26 de agosto desse ano. E não foi só porque ela saiu assinada ou porque  teve infografico assinado pelo nosso queridíssimo amigo J. Bosco. Foi porque eu acredito que coleta seletiva é o mínimo que a gente pode fazer pelo meio ambiente. Eu já aderi. E você, o que está esperando?

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Casa da Vovó



Na casa da vovó, no café-da-manhã, a gente toma café com leite e come pão com manteiga. No Natal, a gente come peru e, no Círio, maniçoba. Todos os dias, depois do almoço, tem que ter açaí e, nas comemorações, não faltam uvinhas, salva-vidas e quadradinhos de maracujá.


Lá, todo mundo se reúne na cozinha e as conversas nunca têm fim. Também nunca falta espaço na mesa para os primos jogarem baralho. E quando não tem primo, paciência.


O caminho para a casa da vovó nunca é longo. Assim diz uma placa colorida na casa dela. 


Na casa da vovó tem plantas e tem cadeira de balanço. Tem quintal e fotos antigas. Tem lembranças da infância e um sofá para descansar da vida.


E, o mais importante de tudo: na casa da vovó tem a vovó, que cheira a água de colônia e é sempre só carinhos.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

CABEÇA, CORAÇÃO

Texto de :Lydia Davis

Coração chora.

Cabeça tenta ajudar coração.

Cabeça explica mais uma vez ao coração como são as coisas:

Você vai perder todas as pessoas que ama. Todas elas irão embora. Mas até a terra irá embora, um dia.

Então coração se sente melhor.

Mas as palavras da cabeça não duram muito nos ouvidos do coração.

Coração é muito novo nessa história.

Quero ter eles de volta, diz coração.

Cabeça é tudo o que coração possui.

Socorro, cabeça. Socorra o coração. 

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Ensaios sobre a desilução - conto 1

(O texto começa com Wagner e o tema de Tristão e Isolda).


Era ela e ele dans la vie. Aonde quer que ele fosse, ela iria. Qualquer que fosse a vontade dele, seria também a dela. Seriam felizes assim.

Mas quis a vida que tudo fosse diferente...

Mas, antes de tudo, era ele e suas feições responsáveis. Era ela, o frescor de sua juventude e toda pureza de seus sonhos. Ah... eram os planos de Deus, a perfeição da Criação cumprindo o que já havia sido traçado desde a eternidade. Mactub!

A amizade fácil surgiu da oportunidade de estarem juntos. Da amizade, o desejo e cada encontro deles era de parar o mundo. Havia dificuldades, contudo, também havia a teoria de que era assim que os relacionamentos eram edificados.

Quisera eu poder escrever diversos parágrafos sobre esta história. Linhas e linhas de variações. Mas a história deles foi destas que se encontra em cada esquina. Uma história divida em dois tempos e só. Havia o céu e depois houve o inferno – além disso, nada mais.

Quisera eu ter entendido o que de fato ocorreu no abismo que separa estes dois tempos, mas foi assim: um dia ele lhe falou sobre seu engano. Não que o amor lhe tivesse acabado, mas havia o mundo. O mundo era feito de realidade e o tempo para o sonho já era finito

(La traviata Prendi quest'é l'immgine de' aos 3:20 min.)

E esta foi a primeira experiência deles com a desilusão.

sábado, 4 de setembro de 2010

Ser feliz, apesar de.

Que as juras de amor têm prazo de validade, isso todo mundo já sabe. Elas são válidas enquanto durar o estoque de amor no coração do que promete (e esse estoque pode até durar por uma vida inteira). Mas e a felicidade? Porque o que se vê são crianças cada dia mais serelepes e adultos cada dia mais infelizes. Crise dos 30, dos 40, dos 50,... Até que chega uma fase em que ânimo para ter  crises se tem.

Há que se ter sabedoria para entender que a velhice - que nem sempre é sinônimo de maturidade - pode sim nos trazer dádivas preciosíssimas. É verdade que, com o tempo, perdemos saúde, beleza (dentro do status quo), nos desiludimos, nos frustramos, percebemos que podemos esperar QUALQUER coisa um ser humano. Às vezes é deserperador perder o direito às certezas. Às vezes as certezas que temos são mais desesperadoras ainda.

Mas, diante do desânimo de existir, há que se encontrar motivação que nos faça viver FELIZES. Sejam nossos valores, nossos sonhos ou nossos queridos: é necessário encontrar pontos de equilíbrio que nos impulsione, não só a viver, mas a viver bem.

Por que não lembrarmos da capacidade que temos de desenvolver a nossa espiritualidade? Pode-se fazer um trabalho voluntário, aproveitar cinemas ou partidas de futebol numa tarde de domingo, aprender um novo idioma, viajar. Só não se pode viver por viver, não faz sentido.

Que o prazo de validade da nossa felicidade seja enquanto durar o nosso estoque devida. (Amém).


Obs.: Ontem entrevistei uma senhora de 66 anos que me garantiu que era feliz. Era uma matéria sobre analfabetismo e ela estava a prendendo a ler e a escrever. Quando eu crescer, quero ser igual ela.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

A menina que desejava



Só o que separava Maria Eduarda do brinquedo de seus sonhos era uma folha de vidro - e R$ 700. Na vitrine de uma loja ao lado de sua casa resplandecia o objeto de desejo da menina e, junto com ele, seus pequenos olhos. Desde o primeiro dia que o viu, Eduarda começou a juntar cada centavo que passava por suas mãos. Guardava em um saco plástico porque achava um desperdício comprar um cofre.

A garotinha, porém, sabia que levaria anos para conseguir a quantia. O caso era que o seu desejo era urgente. E se outra pessoa levasse o brinquedo? E se, quando conseguisse o dinheiro, não tivesse mais idade para brincar?

Pensou em começar a trabalhar, mas quem contrataria uma menina de oito anos? O Estatuto da Criança e do Adolescente proibia. No entanto, ainda que alguém desobedecesse, quanto ganharia? Provavelmente uma quantia irrisória.

Cada vez que passava diante da vitrine, Eduarda sentia algo diferente. Tinha dias que, esperançosa, enchia-se de sonhos e fazia os planos mais mirabolantes que possam ser criados na cabeça de uma criança. Em outros, ficava irritada por ter de passar de segunda-feira a sexta-feira, obrigatoriamente, em frente à mercadoria exposta, já que não tinha outro caminho para ir à escola.

Desejava o brinquedo com tanta intensidade que, às vezes, tinha vontade de quebrá-lo só para extinguir de vez a possibilidade de tê-lo. Queria roubá-lo ou mudar-se da casa ao lado dele. Irracional, imaginava-se jogando uma pedra no vidro da loja e saindo correndo.

Maroca, já não via graça em outros brinquedos. Até pular elástico com as vizinhas, que antes a deixava empolgadíssima, agora parecia ser chato. A menina sentia-se envergonhada pois a mãe ensinara que ela não deveria ter apego às coisas materiais. "Existem crianças que sequer têm o que comer. Seja grata à Deus por tudo o que você tem", dizia. Todavia, Maria Eduarda mão conseguia deixar de desejar.

Enquanto esperava pelo dia em que seu desejo finalmente se realizaria - (Será que ele chegaria?) - a menina resolveu inventar novos sonhos. Inventou, por exemplo, que queria ganhar o concurso de talentos do colégio e que aprenderia a tocar violão. Depois, que entraria na Universidade e que conseguiria uma bolsa de estudos fora do País. E assim ela seguiu pela vida inventando sonhos e mais sonhos, uns até bem maiores que aquele.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

O Passarinho

Mesmo depois de despencar de uma altura de mil metros, sobreviveu. Era passarinho, mas sua especialidade não era voar. Não que seu canto fosse dos mais belos, mas era com a alma que cantava e isso lhe exigia muito. Mas voltemos ao voo.

Passarinho gostava de voar em lugares que já conhecia. Era assim: ia ao local devagarinho, pisando o solo com as perninhas delicadas.Passeava, passeava. De vez em quando, ensaiava um pequeno voo. Quando sentia que o chão era fofo e sem desníveis, demorava-se um pouco mais no ar. Mas seus voos costumavam ser breves. Circulava e circulava. Passarinho não gostava de ver tudo pequenininho lá em baixo. Gostava de observar de perto as pessoas, as árvores, os cachorros, sempre desengonçados.

Passarinho também não gostava de passar muito tempo sobrevoando o mesmo lugar. Mas quando voava para estudar novos territórios, acabava voltando para saber as novas histórias dos locais que já conhecia.Passarinho gostava mesmo era de cantar. Quando cantava, lavava a alma. E se lavasse outra além da sua, emocionava-se. Depois de cantar, Passarinho gostava de abrigar-se em uma árvore-sofá e receber um cafuné. Passarinho inclinava o pescoço para frente e eriçava as penas, todo manhoso.

Certo dia, ao pisar sobre um terreno novo, Passarinho teve a impressão de que há muito já o conhecia. Ainda quis estudar mais o solo, voar baixinho, mas a brisa leve lhe convidava para voos mais altos. Não conseguiu resistir. Sentiu que ali podia cantar o quanto quisesse e não hesitou. Encheu o pulmão dos novos ares - e como lhe entravam suaves pelas narinas - e cantou e cantou. E a música que saia de seu bico ora alegrava os habitantes do lugar, ora os consolava.

Passarinho sentia-se em casa. Quanto mais alto voava, mais avistava promessas de belas paisagens. Ia mais e mais longe. O vento passava sob e sobre suas asas e Passarinho já não tinha medo de sobrevoar montanhas e mares. Ele agora sabia o que era liberdade e, a cada bater de asas, sentia-se mais seguro.

Até que, de repente, o vento mudou de direção. Passarinho perdeu a estabilidade e estatelou-se no chão. Enquanto junta seus pedaços, Passarinho pia triste. Passarinho voltou a ter medo de voar.

OBS.: Foto retirada do site : belasmensagens.zip.net

terça-feira, 22 de junho de 2010

Isso não te toca?

Há uma semana um morador de rua conhecido como "Bronze" agoniza diante de olhares indignados ou indiferentes dos que transitam nas proximidades da Praça da Leitura, em São Brás. De acordo com pessoas que moram ou trabalham no entorno do lugar, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado diversas vezes, mas os funcionários que vão ao local se recusam a prestar atendimento ao doente por se tratar de um "mendigo". A Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) alegou que o cidadão não precisava de remoção hospitalar ou atendimento de urgência e por isso não foi atendido.

Sensibilizada com a situação, a comerciante Ana Lúcia Silva Maciel pagou roupas limpas e um banho para "Bronze". "Da primeira vez que eles vieram, disseram que não iriam levá-lo porque ele estava sujo. Resolvi pagar alguém para dar um banho nele e comprei roupas novas para ele usar. Por volta das 16 horas (de ontem) liguei para a Samu novamente, mas até agora (17h45) ninguém veio", contou. Ana Lúcia afirmou que a atendente da Samu garantiu que "Bronze" seria removido assim que houvesse uma ambulância disponível, mas até o fechamento desta edição ele permanecia no mesmo local.

Diante do sofrimento do morador de rua, a comerciante se disse indignada: "Principalmente com o governo. O que está acontecendo com ele é um desrespeito com um ser humano. Nenhum de nós merece morrer à míngua, no meio da rua, diante de pessoas que passam e viram o rosto para o outro lado". Assim como ela, a vendedora de bombons Adriana da Conceição Pereira também se disse revoltada com o ocorrido. Ela contou que "Bronze" era um homem trabalhador e tinha uma banca em que vendia castanhas. "Um dia a polícia levou a mercadoria e os documentos dele e ele passou a viver na rua", afirmou. De acordo com Adriana, ele não tem parentes próximos e conta apenas com doações para se manter. A vendedora declarou ainda que o Samu foi ao local, mas os funcionários teriam se recusado a examiná-lo porque ele era um morador de rua.
SESMA
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) alegou que o caso do morador de rua é uma questão social e que ele não precisava de remoção hospitalar ou atendimento de urgência. A Sesma afirmou também que "o trabalho do Samu é realizar o primeiro atendimento em casos de urgência e posteriormente fazer o encaminhamento ao hospital, o que não se aplicava ao caso do morador de rua".



Eis aí um pouquinho do meu trabalho jornalístico. Esse texto foi publicado na edição de quinta-feira passada do jornal O Liberal. Como informação de bastidores posso dizer que a primeira nota que a Sesma me mandou dizia assim:
NOTA
A Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) informa que uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), recebeu a chamada para o atendimento do morador de rua, por volta das 8h de hoje (16). A ambulância prontamente se dirigiu para prestar o atendimento, porém, ao chegar no local da chamada, o paciente não se encontrava mais no local. De acordo com a direção do Samu, os técnicos ainda realizaram busca nos arredores da Praça da Leitura, em São Braz, em busca do paciente, mas não obtiveram sucesso. 

A assessora me disse que confundiu os casos, que eles não encontraram outro morador de rua e por isso me mandaram a outra justificativa. (Enfim...). Eu poderia falar um monte sobre dignidade da pessoa humana, solidariedade, distribuição desigual da renda e mais um monte de coisas importantes. Mas acho que o que eu escrevi e a foto já são mais do que suficientes para levantar reflexões do leitor. Pelo menos assim eu espero. Reflitam!!!

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Páginas caleidoscópicas

Histórias que começam e terminam no primeiro parágrafo. Assim tem sido a minha vida nos últimos tempos: um amontoado de páginas soltas de livros escritos pelo Cósmos.
Tive um ato falho. Em vez de dizer "alô" eu disse "sau...(dade)".
Ví uma senhora na janela que sabia que música é mais que som - é energia - e por isso cantava alto.
Outra me parou na rua e perguntou se eu sabia o que causava depressão. (...) Eu não soube o que dizer.
Um casal foi surpreendido na escada do prédio... e saiu rindo.
Dois garotinhos conversavam sobre o tamanho da piscina da escola...
Um caleidoscópio de surpresas e dúvidas: Ça c'est la vie.

Obs.:Imagem retirada de http://ricfabiao.wordpress.com/2008/01/14/caleidoscopio/

domingo, 23 de maio de 2010

Saudades da Du Carmo

Para onde você foi, Du Carmo,
Que nos deixou assim com este buraco no peito?
Que nos acostumou mal com tanto carinho e dedicação
E de repente foi embora e já não volta mais?
...
Lembra, Du Carmo, quando nós brigávamos pela sua atenção?
Nós dizíamos que você gostava mais de um do que de outro
Mas nosso ciúme era só uma forma de mostrar o quão importante você sempre foi
Você sabia disso, não sabia?
Só me diga que isso ficou claro para você...
Porque não é do ovo frito que você fazia questão de preparar todas as vezes que percebia que seu "eleitorado" não tinha gostado do prato principal que eu vou sentir falta, Du Carmo.
É de você...
Dos seus braços sempre abertos para nos receber,
Do jeito meio ranzinza que você reclamava de certas coisas
Da sua forma única de dizer certas palavras
É de você, Du Carmo...
É difícil imaginar que quando eu chegar na casa da vovó
Não vou te encontrar...
Você e seu lencinho na cabeça
Você e sua interjeição: "Menina, menina"
Ah Du Carmo... seja onde estiver, esteja feliz
Pois se a vida não lhe reservou tantas alegrias
Mas você foi incansável em fazer nossos dias melhores
E ninguém mais que você merece descansar em paz.