sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Coleta Seletiva

Um saco plástico para o lixo orgânico e outro para o reciclável: é só o que a estudante de direito Vilani Nascimento de Almeida precisa para fazer a coleta seletiva. Cansada de esperar por uma iniciativa da Prefeitura Municipal de Belém, ela decidiu separar o que iria descartar e levar, uma vez por semana, para a ONG "No Olhar", que é especializada na coleta de materiais recicláveis. Cerca de 10 mil toneladas de lixo são produzidas todos os dias no Pará, mas apenas 1,5% deste total é reciclado, segundo a Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental no Pará (Abes/PA).

A coleta seletiva, para muitos, parece uma tarefa complicada. Mas o coordenador da ONG No Olhar, Marcos Wilson, garante que ela pode ser feita de maneira prática e funcional. Basta separar embalagem e restos dos alimentos. Para ele, boa vontade é o que não falta à população paraense. Em 2008, ele resolveu fazer um "experimento" e convidou algumas pessoas para levar os resíduos sólidos domiciliares para o local onde hoje funciona a ONG, na rua Riachuelo, esquina com a travessa Padre Eutíquio. "No começo, apenas um grupo de amigos levava o material. Hoje, recebemos em torno de sete pessoas por dia. Aos sábados, são mais de 20", contou.

Se, quando a ONG começou, era necessário de dois a três meses para juntar uma tonelada de lixo reciclável, hoje, é preciso um pouco mais de uma semana para isso. Na última doação que recebeu, a entidade arrecadou mais que o dobro desta quantidade. Para Marcos, a coleta seletiva feita pela Secretaria Municipal de Saneamento (Sesan) não condiz com a realidade da cidade. "A população quer resolver o problema do descarte, mas não existe incentivo do poder público para isso", opinou. Ele explicou que a proposta da "No Olhar" é reduzir a quantidade de material sólido despejado no Aurá e gerar renda para comunidades em situação de risco.

COLETA

Dentre os beneficiados pelos serviços prestados pela ONG está a Associação de Recicladores das Águas Lindas (Aral). Marcelo Rocha da Silva, coordenador da associação, informou que os 63 catadores que fazem parte da Aral recolhem em torno de cinco toneladas de material reciclável a cada sete dias. Cada um ganha, em média, R$ 50 por semana para coletar vidro, plástico, papel e metal. Ele defendeu que a coleta seletiva pode ser uma alternativa de renda para várias famílias. "Uma forma de aumentar o ganho dos que trabalham com a coleta de lixo é aumentar a adesão da sociedade ao sistema. Quando uma pessoa passa a separar o lixo é como se ela adotasse uma família", alegou.

Ele disse acreditar que os paraenses não realizam coleta seletiva apenas porque não há um programa para dar a destinação correta ao material. "O poder público diz que a população não quer fazer a seleção, mas isso não é verdade. As pessoas só não separam o lixo em casa porque sabem que ele será misturado nos caminhões que fazem a coleta", opinou.

SESAN

Todos os dias, a Sesan recolhe em torno de 700 kgs de resíduos sólidos por meio da coleta seletiva. Essa quantidade representa menos de 0,08 % do lixo domiciliar descartado na cidade. Hoje, o sistema é adotado apenas nos bairros de Nazaré e Umarizal. De acordo com a coordenadora do projeto Coleta Seletiva Porta a Porta da Sesan, Elvira Pinheiro, os dois bairros são os que produzem o maior volume de material sólido da cidade. Em torno de 50 catadores, que antes trabalham no Aurá, fazem a coleta no local das 8h às 14h. O projeto é uma parceria entre a Sesan, a Associação de Catadores de Belém e Caixa Econômica Federal (CEF). Ele começou a ser desenvolvido em 2008, no bairro do Umarizal, e, no ano seguinte, em Nazaré.

Elvira afirmou que, até dezembro, o sistema deve ser estendido ao bairro de Batista Campos, após a conclusão de um estudo de viabilidade. O projeto de coleta seletiva da Prefeitura Municipal de Belém conta com cerca de 300 parceiros, entre instituições federais, escolas, hospitais e empresas particulares. Ela informou que os interessados em fazer coleta seletiva podem solicitar o serviço pelo telefone 3039 3554, ou levar o lixo separado aos galpões da prefeitura, localizados na travessa Padre Eutíquio nº 2671, entre a travessa Quintino Bocaiúva e a passagem São Miguel e na avenida Alcindo Cacela nº 2735, entre as ruas dos Caripunas e dos Pariquis (em frente ao Banco do Brasil).

ATITUDE

Moradora do bairro Umarizal, Vilani de Almeida criticou o serviço de coleta seletiva disponibilizado pela Prefeitura. Ela contou que, ano passado, ligou várias vezes para solicitar a coleta, mas, como não era feita de forma constante, desistiu de aguardar. Agora, ela leva o lixo doméstico à ONG "No Olhar" por conta própria. Para Vilani, que tem um filho de seis meses, valores como a consciência de coletividade e a preservação ambiental devem fazer parte da educação das crianças. "Fui criada no interior e aprendi a conviver bem com o meio ambiente. As pessoas têm que pensar na cidade como uma continuação das suas casas", declarou.

Ela se disse preocupada com a quantidade crescente de material sólido despejado todos os dias no Aurá. "Quando você começa a separar o que pode ser reciclado, percebe uma grande diferença na quantidade de lixo que é jogado fora. O lixo reciclável é limpo. Além de ser útil, ele é higiênico", defendeu. Segundo ela, a seleção dos resíduos domésticos deve ser um compromisso que cada pessoa deve assumir. "Precisamos pensar no futuro e cuidar do planeta. Não adianta só reclamar das autoridades. A sociedade precisa se mobilizar para cobrar mudanças", ressaltou.

 UFPA

Uma opção para quem está disposto a levar o lixo reciclável a um Local de Entrega Voluntária (LEV) é ir à Universidade Federal do Pará (UFPA). A instituição dispõe de 29 LEVs - com quatro contendes (plástico, vidro, metal e papel) cada um - no campus do Guamá.  A técnica da coordenadoria de meio ambiente da UFPA, Liana Maria da Rocha Machado, informou que a coleta seletiva de papel na Universidade começou em 2006, mas o programa de coleta seletiva voluntário foi implantado apenas em 2007. De acordo com ela, a Prefeitura da Universidade foi motivada Decreto no 5.940/06, que tornou a coleta seletiva obrigatória em órgãos públicos.

De junho a dezembro do ano passado, a instituição recolheu 1.068 kgs de ferro, 820 kgs de plástico, 2.960 kgs de papelão, 1.900 kgs de papel misto e 1.190 kgs de papel branco. Para ela, a coleta é fundamental para a preservação da qualidade do ambiente na cidade. "Ela também proporciona a inserção social e melhoria da qualidade de vida de catadores de materiais", completou. De acordo Liana, a adesão da população ao sistema ocorre de forma gradativa. Ela frisou que participar da coleta seletiva é uma atitude cidadã: "Cada um deve fazer a sua parte para que a iniciativa tenha sucesso". Interessados em colaborar com o projeto de coleta seletiva da Universidade podem entrar em contato com a instituição pelo email: ambiental@ufpa.br.

PNRS

Além de ser uma "atitude cidadã", a destinação correta dos residuos sólidos também é "responsabilidade compartilhada" pela sociedade, empresas, prefeituras e governos estaduais e federal. Segundo a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), sancionada pelo Governo Federal no último dia 2, cada cidadão é responsável por acondicionar de maneira adequada o lixo e deve fazer a separação dos resíduos nos locais onde houver coleta seletiva. Em substituição ao Projeto de Lei nº 354/89, que tramitava no Câmara dos Deputados há cerca de 20 anos, a Política proíbe ainda a criação de lixões, regula a implantação do sistema de coleta seletiva e prevê o financiamento de cooperativas de catadores.

De acordo com a PNRS, no lugar dos lixões, onde os resíduos são lançados a céu aberto, as prefeituras municipais brasileiras deverão construir aterros sanitários adequados ambientalmente. Nestes locais, só poderão ser depositados compostagem e resíduos sem  possibilidade de reaproveitamento. Fica proibido o ato de catar lixo, morar ou criar animais em aterros sanitários. O projeto inova ainda ao prever a "logística reversa", que determina que fabricantes, importadores e distribuidores de produtos como produtos como agrotóxicos, pilhas e lâmpadas, recolham as embalagens usadas.



> Essa foi uma das matérias que eu mais gostei de fazer para o jornal O Liberal. Ela foi publicada na coluna de Responsabilidade Social, no dia 26 de agosto desse ano. E não foi só porque ela saiu assinada ou porque  teve infografico assinado pelo nosso queridíssimo amigo J. Bosco. Foi porque eu acredito que coleta seletiva é o mínimo que a gente pode fazer pelo meio ambiente. Eu já aderi. E você, o que está esperando?

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Casa da Vovó



Na casa da vovó, no café-da-manhã, a gente toma café com leite e come pão com manteiga. No Natal, a gente come peru e, no Círio, maniçoba. Todos os dias, depois do almoço, tem que ter açaí e, nas comemorações, não faltam uvinhas, salva-vidas e quadradinhos de maracujá.


Lá, todo mundo se reúne na cozinha e as conversas nunca têm fim. Também nunca falta espaço na mesa para os primos jogarem baralho. E quando não tem primo, paciência.


O caminho para a casa da vovó nunca é longo. Assim diz uma placa colorida na casa dela. 


Na casa da vovó tem plantas e tem cadeira de balanço. Tem quintal e fotos antigas. Tem lembranças da infância e um sofá para descansar da vida.


E, o mais importante de tudo: na casa da vovó tem a vovó, que cheira a água de colônia e é sempre só carinhos.