terça-feira, 22 de junho de 2010

Isso não te toca?

Há uma semana um morador de rua conhecido como "Bronze" agoniza diante de olhares indignados ou indiferentes dos que transitam nas proximidades da Praça da Leitura, em São Brás. De acordo com pessoas que moram ou trabalham no entorno do lugar, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado diversas vezes, mas os funcionários que vão ao local se recusam a prestar atendimento ao doente por se tratar de um "mendigo". A Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) alegou que o cidadão não precisava de remoção hospitalar ou atendimento de urgência e por isso não foi atendido.

Sensibilizada com a situação, a comerciante Ana Lúcia Silva Maciel pagou roupas limpas e um banho para "Bronze". "Da primeira vez que eles vieram, disseram que não iriam levá-lo porque ele estava sujo. Resolvi pagar alguém para dar um banho nele e comprei roupas novas para ele usar. Por volta das 16 horas (de ontem) liguei para a Samu novamente, mas até agora (17h45) ninguém veio", contou. Ana Lúcia afirmou que a atendente da Samu garantiu que "Bronze" seria removido assim que houvesse uma ambulância disponível, mas até o fechamento desta edição ele permanecia no mesmo local.

Diante do sofrimento do morador de rua, a comerciante se disse indignada: "Principalmente com o governo. O que está acontecendo com ele é um desrespeito com um ser humano. Nenhum de nós merece morrer à míngua, no meio da rua, diante de pessoas que passam e viram o rosto para o outro lado". Assim como ela, a vendedora de bombons Adriana da Conceição Pereira também se disse revoltada com o ocorrido. Ela contou que "Bronze" era um homem trabalhador e tinha uma banca em que vendia castanhas. "Um dia a polícia levou a mercadoria e os documentos dele e ele passou a viver na rua", afirmou. De acordo com Adriana, ele não tem parentes próximos e conta apenas com doações para se manter. A vendedora declarou ainda que o Samu foi ao local, mas os funcionários teriam se recusado a examiná-lo porque ele era um morador de rua.
SESMA
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) alegou que o caso do morador de rua é uma questão social e que ele não precisava de remoção hospitalar ou atendimento de urgência. A Sesma afirmou também que "o trabalho do Samu é realizar o primeiro atendimento em casos de urgência e posteriormente fazer o encaminhamento ao hospital, o que não se aplicava ao caso do morador de rua".



Eis aí um pouquinho do meu trabalho jornalístico. Esse texto foi publicado na edição de quinta-feira passada do jornal O Liberal. Como informação de bastidores posso dizer que a primeira nota que a Sesma me mandou dizia assim:
NOTA
A Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) informa que uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), recebeu a chamada para o atendimento do morador de rua, por volta das 8h de hoje (16). A ambulância prontamente se dirigiu para prestar o atendimento, porém, ao chegar no local da chamada, o paciente não se encontrava mais no local. De acordo com a direção do Samu, os técnicos ainda realizaram busca nos arredores da Praça da Leitura, em São Braz, em busca do paciente, mas não obtiveram sucesso. 

A assessora me disse que confundiu os casos, que eles não encontraram outro morador de rua e por isso me mandaram a outra justificativa. (Enfim...). Eu poderia falar um monte sobre dignidade da pessoa humana, solidariedade, distribuição desigual da renda e mais um monte de coisas importantes. Mas acho que o que eu escrevi e a foto já são mais do que suficientes para levantar reflexões do leitor. Pelo menos assim eu espero. Reflitam!!!

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Páginas caleidoscópicas

Histórias que começam e terminam no primeiro parágrafo. Assim tem sido a minha vida nos últimos tempos: um amontoado de páginas soltas de livros escritos pelo Cósmos.
Tive um ato falho. Em vez de dizer "alô" eu disse "sau...(dade)".
Ví uma senhora na janela que sabia que música é mais que som - é energia - e por isso cantava alto.
Outra me parou na rua e perguntou se eu sabia o que causava depressão. (...) Eu não soube o que dizer.
Um casal foi surpreendido na escada do prédio... e saiu rindo.
Dois garotinhos conversavam sobre o tamanho da piscina da escola...
Um caleidoscópio de surpresas e dúvidas: Ça c'est la vie.

Obs.:Imagem retirada de http://ricfabiao.wordpress.com/2008/01/14/caleidoscopio/